Arquivo mensal: setembro 2012

Belo Monte: Pescadores apresentam reivindicações para representantes do governo

Publicado em 27/09/2012 – Fonte: Movimento Xingu Vivo Para Sempre

No nono dia dos protestos dos pescadores do Xingu, que se mantém acampados em ilha próxima às obras da barragem de Belo Monte, representantes do Ministério da Pesca e da Casa de Governo se reuniram com representantes da Colônia de Pescadores Z-57 em Altamira, no Pará. Também participaram da reunião a Associação dos Criadores e Pescadores de Peixes Ornamentais (ACEPOAT) e a Cooperativa dos Pescadores e Beneficiadores de Pescado de Altamira (COOPEBAX).

As associações de pescadores entregaram aos representantes do Governo Federal uma lista de reivindicações denominada: “Reivindicações Básicas mínimas para o inicio das tratativas dos movimentos sociais que utilizam o Rio Xingú como atividade de subsistência – Ribeirinhos e Pescadores de Altamira e Região”, tratando dos impactos da obra de Belo Monte, incluindo a continuidade do desenvolvimento das atividades de pesca e aquicultura no Rio Xingu. No relatório do que o governo chamou de “audiência com os pescadores de Altamira”, as reivindicações foram encaminhadas para discussões futuras, em mesas de discussão entre “governo x Norte Energia”, e para “encaminhamentos a quem de direito”.

“Todas essas questões envolvendo os impactos de Belo Monte sobre os pescadores e suas famílias deveriam ter sido discutidas antes do início da construção. Agora o governo e a Norte Energia estão tentando fazer com os pescadores a mesma coisa que fizeram com os índios, enganando eles enquanto avançam com as obras”, diz Antonia Melo, coordenadora do Movimento Xingu Vivo.

Drama dos pescadores

Os pescadores denunciam o drama que estão vivendo com a diminuição dos peixes após o início da construção do barramento do rio e estão preocupados com o avanço acelerado das obras na ensecadeira do pimental, onde está sendo construído barramento para desviar o curso do rio.

“Agora você vem para o rio e aquela produção que você fazia em 3 dias, não consegue fazer nem em 8 dias. O peixe está diminuindo aqui. E pra cima do Xingu, não tem como a gente ir, porque o que não é área indígena já está cheia de pescadores. E aqui o peixe está sumindo. E os peixes que morrem eles recolhem e dão sumiço”, denuncia o pescador indígena Cecílio Caiapó, “A gente fica uma semana no rio e volta com uma mixaria de peixes pra casa. O que a gente vai mostrar pra nossa família? Quer dizer que as obras não podem parar mas a gente pode morrer de fome?”, questiona. Cecílio afirma que os pescadores só queriam poder continuar pescando, como sempre fizeram.

O pescador Lindolfo explica que desde o início do verão (em Maio deste ano), ele está sendo obrigado a gastar o dobro de combustível e tempo, para conseguir encontrar uma quantidade de peixes menor do que sempre conseguiu pescar no Xingu. “E aí, como é que eu fico? Porque eles estão quase fechando o rio na ensecadeira”, diz Lindolfo.

Entre as demandas discutidas na reunião desta quarta, os pescadores exigiram uma nova avaliação de impactos sobre os estoques de peixe através do levantamento dos estudos feitos pela UFPA e outros sobre monitoramento da pesca e biomas, como subsidio de avaliação do grau de impactos na produção e ambiente natural do pescado atualmente.

Intimidação

Ao longo dos últimos dois dias, funcionários uniformizados do Consórcio Construtor de Belo Monte, têm desembarcado na ilha onde os pescadores estão acampados para filmá-los em atitude de intimidação. A ilha da resistência, como está sendo chamada pelos pescadores, não pertence ao CCBM.

“Nós estamos muito revoltados, porque podia ter vindo um representante da Norte Energia aqui fazer uma proposta justa pra gente e ao invés disso mandaram a polícia na semana passada e agora os guaxebas para ficarem filmando a gente sem autorização”, diz o pescador Cecílio, que acusa os funcionários da empresa responsável pela construção de Belo Monte de agirem com intuito de intimidá-los e de não respeitarem o direito dos pescadores à imagem.

“Essa é uma forma criminosa de intimidar os pescadores”, diz Antônia Mello, do Xingu Vivo.Segundo funcionários da empresa relataram à alguns pescadores, a proximidade do grupo às obras forçou o cancelamento de explosões que ocorreriam no final da tarde de ontem.

 

 

 

 

Visita na comunidade do Aricuru

O CPP Norte visitou no dia 21 a 23 de setembro, a comunidade do Aricuru do município de Maracanã para falar de politica e da cartilha sobre meio ambiente e direitos. Em função das próximas eleições o grupos da mulheres solicitou que fosse apresentado uma visão geral sobre a política. A noite do dia 21 foi dedicada a uma roda de conversa a partir da apresentação da origem e conceito de política, como funciona o regime político, as formas de governo, atribuições do presidente, governador, deputado federal e estadual, prefeito, e vereadores. Foram também apresentados os principais partidos políticos e seus lemas. As crianças e adolescentes também participaram deste momento brincando de eleição e elaborando propostas para o candidato “eleito” por elas.

O dia 22 foram visitadas as comunidades de Suá-Suá e Santa Helena com o objetivo de motivar a coleta de assinatura para o projeto de lei popular em defesa do território pesqueiro.

O dia 23, depois da celebração da comunidade foi realizado o estudo da cartilha: Pescadores e Pescadoras Artesanais–Meio Ambiente,e e Direitos por adultos, jovens, crianças e adolescentes.

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Círio de Nazaré 2012

Mais informação no site oficial !

CARTA EM HOMENAGEM A DOM JOSÉ RODRIGUES – PRIMEIRO PRESIDENTE DO CPP

Jose, Dom de Deus, Irmão Conosco, Pescador de Sonhos, Agricultor de Esperanças, Voz dos Pobres…

Com pesar recebemos a notícia do falecimento de Dom José Rodrigues de Souza, bispo emérito da Diocese de Juazeiro na Bahia. Nesse dia 09 de setembro a região do Vale do São Francisco, mas também os pescadores e pescadoras perderam uma referência das lutas sociais: Dom José Rodrigues. O bispo emérito de Juazeiro vai ficar sempre na história dos pobres e perseguidos por sua coragem, simplicidade e inovação.

Com certeza muitos já falaram do grande mérito que acompanhava este bispo no meio do povo sofrido do semi-árido do Nordeste. Ele mesmo disse anos atrás, que foi este povo sofrido e perseguido, sem vez nem voz, que ajudou na sua conversão radical ao Evangelho de Jesus Cristo e sua opção decidida pelos pobres. Com certeza muitos lembraram na sua atuação no meio dos reassentados da barragem de Sobradinho, da sua atuação na comunicação corajosa dos valores de justiça e compaixão para com o povo através de rádio e jornal. Outros já falaram disso tudo e de uma maneira bem clara e exaustiva.

Nós queremos aqui lembrar o nosso convívio com Dom José como primeiro “Presidente” do Conselho Pastoral dos Pescadores. A missão desta pastoral: “Anunciar aos pescadores e as pescadoras a força libertadora do evangelho revelado aos pobres e através deles promover a transformação das estruturas geradoras de injustiça, tornando-os agentes de sua história e construtores de uma nova sociedade” já era exercida na sua diocese pela Pastoral da Terra com e no meio dos pescadores do Rio São Francisco e do Lago de Sobradinho.

Na Assembleia da fundação oficial do Conselho Pastoral dos Pescadores em 1988 em Olinda – PE Dom José Rodrigues foi lembrado e unanimemente aceito para ser o primeiro Presidente da Pastoral, pois naquela época ouvimos da atuação deste bispo a favor dos pescadores do Rio São Francisco e do Lago de Sobradinho. Frei Alfredo se encarregou a consultar e pedir ao bispo que aceitasse esta tarefa de animar e encorajar não só os agentes de pastoral, mas também os próprios pescadores e pescadoras artesanais deste Brasil afora. Prontamente Dom José aceitou o convite e a partir deste momento sempre participava das nossas assembleias e reuniões de planejamento. Na sua diocese animou os seus agentes de pastoral a fundar também uma Pastoral dos Pescadores. Quantas vezes ele visitou conosco os pescadores nas praias do Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Maranhão, Alagoas e Pernambuco!

Como era importante a sua presença e orientação nos trabalhos da Pastoral dos Pescadores. Ele, como Bispo da Igreja, abriu as portas para os agentes da Pastoral dos Pescadores em muitas dioceses e paróquias onde se encontravam pescadores e pescadoras abandonados pelas autoridades civis e muitas vezes esquecidos pela própria Igreja. Nas Assembleias Gerais da CNBB ele sempre fazia propaganda no meio dos seus colegas bispos da existência de milhares de pescadores e pescadoras que necessitam a atenção da Igreja e que são realmente o público preferido do Santo Evangelho de Cristo.

Dom José será sempre lembrado como o homem simples, conhecido até mesmo pelas roupas que costumava usar. Dom José será lembrado pelos pescadores e pescadoras que hoje ainda se lembram da sua presença nas suas casas na praia, pelas missas que ele celebrava nas caiçaras. Serão muitas lembranças e a sua pessoa será lembrada, mesmo com o passar do tempo.

Esperamos continuar trabalhando o que dele aprendemos. Nossos projetos sempre terão umas ideias dele e isso servirá também para a formação dos novos agentes de pastoral dos pescadores.

Olinda, 11 de setembro de 2012

Carta em homenagem a Dom Jose Rodrigues – Primeiro Presidente do CPP.doc

Reunião no lago do Juá

Os pescadores do lago do Juá se reuniram para discutir da defesa do lago e da atualização do acordo de pesca do lago.

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Foto: Paulo Miranda

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