HISTÓRICO

"Ser presença de gratuidade evangélica no meio dos pescadores, cultivando assim, as sementes do reino que existem no meio deles; movido pela força libertadora do Evangelho, colaborar com os pescadores nos justos anseios de suas vidas, respeitando sua cultura, estimulando suas organizações, tendo em vista a libertação integral e a construção de uma nova sociedade; animar, formar e articular fraternalmente os que trabalham a serviço dos pescadores nesta pastoral; lutar por todos os meios necessários para a preservação do meio ambiente”.

A Pastoral dos Pescadores foi fundada nos finais do ano de 1960, por Alfredo Schnuettgen, alemão da cidade de Attendorn, frade franciscano.

A sensibilização e identificação com o trabalho pastoral de Frei Alfredo em defesa de pescadores e pescadoras, levou-o, então vigário de Fátima, Olinda/PE, a aproximar-se dos pescadores da praia do Carmo e, nesta praia, ele lançou a rede da Pastoral dos Pescadores. Com o apoio da CNBB e bispos como Hélder Câmara, Lamartine Soares, expandiu a atuação pastoral até o litoral norte paraibano, mais precisamente em Acaú e Pitimbu e no Estado de Alagoas, persistindo na defesa dos pescadores contra o autoritarismo dos governos através da Marinha brasileira dentro das colônias e federação de pescadores.

Assim, com a força das comunidades eclesiais de base, que fortaleciam os sinais de resistência que brotava das bases, Frei Alfredo continuava pescando homens e mulheres como Antônio Gomes, o Toinho Pescador, Anita Luna, Margarida Mousinho, Ambrósio. Que fortaleciam a luta por dignidade, justiça social e ambiental, e transformação pela organização. Com esta base fundamentada na missão de Jesus e na opção pelos pobres, desencadeou o processo de conscientização sobre os problemas que permeavam o universo dos pescadores e pescadoras. Esta atitude iniciada em Pernambuco logo chamou atenção de outros atores, em outras regiões (norte, sul/sudeste) que se articularam na defesa desta categoria, que praticamente eram invisível para a sociedade .

Mais tarde, em 1988, a partir da necessidade das equipes de base, de ter uma ação mais articulada e na perspectiva de que se construir uma pauta comum de lutas em defesa dos direitos sociais, previdenciários e ambientais dos trabalhadores e trabalhadoras da pesca artesanal, decidiu-se, em assembléia, criar uma entidade com personalidade jurídica, surgindo assim o Conselho Pastoral dos Pescadores. Hoje são 4 equipes regionais, com sede: na Bahia: no litoral, em Sobradinho e no Norte de Minas Gerais (esta ultima em fase de organização); no Norte no Estado do Pará com equipes em Belém e em Santarém ; no Ceará e no Nordeste: Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e retomando contato com regional Sul.

Em torno da missão do CPP que é “Anunciar aos pescadores a força libertadora do evangelho revelado aos pobres, respeitando sua cultura, para que, pela sua organização, transformem as estruturas geradoras de injustiças, tendo em vista a libertação integral e a construção de uma nova sociedade,” essa pastoral se articula em quatro equipes regionais e equipes diocesanas, que se propõem continuar e efetivar o trabalho da pastoral garantindo o protagonismo dos pescadores e das pescadoras artesanais do Brasil, e a conquista de seus direitos.

O princípio do CPP é promover o serviço pastoral aos pescadores e pescadoras, tendo como finalidade o protagonismo social e político, fortalecer e promover as relações de igualdade de gênero, incentivar o trabalho coletivo e a zelar para que aconteçam gestões baseadas nos princípios democráticos das organizações da categoria.

O CPP tem como instancias de decisão: a Assembléia Nacional, a Diretoria e os Conselhos Nacional e Fiscal.